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quinta-feira, 1 de abril de 2010

CAPÍTULO IX : SÍNDROME DA BABÁ ELETRÔNICA




Ou: Como tornar a vida artificial e ser punido com as leis naturais, ou ainda: A Batalha Final: o ser humano (criatura) inventa a tecnologia e enfrenta Deus (criador) e sua obra: a natureza. Quem vai ganhar?


Eis a mais grave das síndromes do fim dos tempos: conseguimos, em cem anos, contrariar todas as leis e regras naturais. Durante décadas, vimos dois sistemas políticos e econômicos se digladiarem: comunistas e capitalistas, suas paranóias e trilhões de dólares investidos em armas que destruiriam este planeta 159 vezes (que bobagem, bastava uma vez). No fim tudo terminou em pizza e a distancia entre ricos e pobres hoje é muito mais que 159 vezes maior. Quem lucrou?
Vimos ainda, o fenômeno da urbanização. Veio todo mundo pra cidade, seduzido pelas atrações urbanas (neon, shopping, carros, cinema, teatro, gente bonita e chique). Fazer o quê, aqui? Amontoados em favelas, esgotos, crimes, tráfico, cocaína, policia, bandido, transito que não anda, poluição ... Até gente boa acaba se revoltando e aderindo ao “já que é assim ....”.

Mas o pior nesse século foi a presunção dos seres humanos em criar AMBIENTE PERFEITO, CONFORTÁVEL, INTELIGENTE (?) ONDE MÁQUINAS CRIARIAM O IDEAL: a preguiça eletrônica! Máquinas de lavar, de passar, de lavar louça, para congelar, microondas para esquentar, TV (cinema em casa) com passador de canal e desligar automático, som com sleep, carro para acelerar o tempo, luz elétrica para substituir a luz solar, barbeador elétrico, batedeira, assadeira, churrasqueira eletrônica, vara de pescar eletrônica (ainda não, ah bom! – pois senão bastava um telão com imagens de Araguaia e você pescava em casa mesmo). Ar condicionado: Qual estação o senhor quer hoje? Está de terno de lã. Bem, sugiro o inverno paranaense com temperatura média de 12º. Vai um vinho tinto, doutor?
Mas o pior veio no fim do século: COMPUTADOR PESSOAL. Aí pronto, até INTERNET foi um pulo, multimídia, outro; e, enfim, surge o terceiro sistema (após capitalismo e comunismo) – o INDIVIDUALISMO ELETRÔNICO (ou tecnicismo!)
Ótimo:
1. Fim do divórcio (na internet é melhor: a transa é virtual e a mulher é ideal – não fala, não se vê e é sempre inteligente: usa a informática).
2. Fim dos conflitos com filhos: eles já têm o próprio micro e aprendem sexo virtual , não têm nem que usar camisinha! Não usam mais droga: já nascem viciados em computador e vídeo-game. TECNOFÍLICOS. E já não briga com a irmã, que faz as mesmas coisas no quarto ao lado, sem risco de engravidar.
3. Fim do trabalho fora: tudo é feito em casa, dispensa os funcionários no escritório e monta sua equipe: fax, Pentium, celular, TV a cabo (sou SAT).
4. Fim do congestionamento: ninguém vai precisar sair de casa (congestiona a linha telefônica, esqueci).
5. Fim da poluição sonora: todos em silêncio (mas que irritante esse barulhinho de tecla).
6. Todo mundo com LER: (lesão de esforço repetitivo). Calma, já estão criando a mão eletrônica, que deverá ser acionada com eletrodos ligados no couro cabeludo, mas tem efeito colateral, dá dor de cabeça ... Mas calma: estão inventando um eletrodo que diminui a sensibilidade à dor, só que dá queda de cabelo ... Mas calma, estão inven...
7. A humanidade após séculos e séculos de lutas entre classes sociais (escravos e conquistadores, reis e súditos, colonizador e colonizadores, classe operária e patronal, analfabetos e alfabetizados, agricultores e latifundiários) verá uma guerra estranha, TECNOFÍLICOS (viciados em tecnologia) X TECNOFÓBICOS (avessos à tecnologia), e assim surgirão novas espécies. Os informatizados e os desinformatizados. A coisa vai ser feia!
Enquanto isso, os informatizados terão o poder virtual e poderão punir e espancar os pobres desinformatizados (por exemplo, não passando a novela das oito ou desprogramando o metrô), mas terão que enfrentar vírus de computador que, de forma sabotada, foi inoculada pelos Tecnofóbicos, que também dinamitam a rede elétrica E OS Tecnofílicos ficam literalmente nus e malpagos. E que guerra feia vem aí pela frente ...

Ei, Tecnofílico, viu que ipê-amarelo lindo aí fora? E a lua, hein? Seus filhos estão lindos...
Já foi à praia, real? Ei, Tecnofóbico, computador é instrumento, é a roda do século XXI, se aproxima, ele não morde e, se usado com sabedoria, simplifica sua vida. Olha, acaba de dar na Globo (já tava demorando ...) foi descrita a Síndrome da Fadiga em Informação - o executivo já não consegue tirar informações prioritárias, se vicia na Internet, tem insegurança, se acha desinformado e perde 40% do tempo em meio a informações desnecessárias. Não come, não dorme, não dá transadinha e tem pesadelo de que se perdeu na Internet e que está no Irã, seqüestrado por um sistema de informática muçulmano-xiita. Um 286 da pior qualidade! É demais ...
Enquanto isso, lá no céu, Deus sorri e nos manda uma charada: o que é mais eficiente: a sabedoria, cuja matéria-prima é ter tempo para observar e experimentar a natureza que nos abençoa e abastece, ou a informação, que é gerada pelo ser humano, é contraste, vicia, confunde, nos traz dependência e nos liga à máquina (já não é a máquina que é ligada) e cria a síndrome da indecisão – já não conseguimos decidir -, pois não conseguimos renunciar e escolher entre bilhões de possibilidades virtuais da multimídia?
É ... será que o criador nos dará outra chance de resgatarmos a simplicidade, a humildade, a confiança, a fé, o desapego e principalmente o amor?
Repito aqui: tecnologia é informação, é intelecto, pensamento, ação. Mas quem faz carinho percebe o calor do beijo, do cafuné, do abraço, e a emoção e ternura de um olhar, o cheiro da relva, da alfazema, de uma flor, o gosto do néctar, da framboesa, da maçã. Que saudade de mim mesmo e do “outro” em minha vida. Sentimento não pode ser virtual, depende dos órgãos do sentido e da percepção do momento!

Livro Eduardo Aquino: Pequeno Manual de sobrevivência na selva das grandes cidades e também médias e pequenas ... Cidades.
4ª Edição - Belo Horizonte/2000.

segunda-feira, 22 de março de 2010

CAPÍTULO VIII: AS 04 MALAS - CONTINUAÇÃO

A primeira é a genética e, sendo assim, já trazemos características físicas e psicológicas, bem como traços familiares que vêm de longa data, desde o início do tempo. Recebemos essa mala já com um segundo de vida, como herança.
A segunda é a mala da educação recebida em casa. É uma mala vazia, que começa a se encher tão logo se passa, através de pais, irmãos, avós, primos, tios, babás e empregadas, a escutar: isso pode, aquilo não pode, é feio, é certo, “vou contar pra sua mãe”, não se misture, não se esqueça que você é um Del Pratti, família nobre, comporte-se, ganhe dinheiro, seja alguém – “Ô mundo cão”, seja generoso, deixe de ser bobo, coitadinho do seu pai, menino! Vai me matar do coração, quero ter orgulho de você, etc., etc.. Enfim, essa é a mala das culpas, dos medos, das chantagens, da opressão, do ciúme, dos bons e maus exemplos, dos bons e maus modelos, da cultura e aquisição familiar.
A terceira mala é o ambiente sócio-político-econômico cultural em que foi criado. Constitui aquisições tiradas do meio ambiente. Nessa mala, se alguém veio de uma pequena cidade rural, seus valores são diametralmente opostos aos daqueles que vieram do Rio de Janeiro ou São Paulo, ou ainda se se é nordestino ou gaúcho, espírita ou crente, “socialite” ou novo rico, empresário ou operário, estrangeiro ou nativo. Se é jovem e revolucionário ou idoso e conservador, É um amontoado de preconceitos, dogmas, regras loucas e insanas “odeio pobre, urgl”, “não agüento preto”, “nada mais antipático que novo-rico”, e crente? Ichl”, cabeça chata”. Que mala complicada, lotada de antipatias, aversões, “verdades”, críticas, “também olha o origem dele, nem tem pedigree”, frescuras, embora possam trazer cultura, sabedoria, boas lembranças, sensibilidades, emoções, inteligências, boas influências.
E a última – a mais pesada, a maior por sinal – é a mala da individualidade (mesmo do mesmo sangue, de mesma origem, mesmo pai, mesma cidade: “como você é diferente do seu irmão). Essa quarta mala é única, existem bilhões no mundo, nenhuma igual. Ela é de todo jeito: grande, pequena, vermelha, preta, fina, grossa, redonda, quadrada, etc.. É sua, e só sua: seu jeito, seu temperamento, sua personalidade, sua alma é a mais importante, pois ela é seu código, sua contribuição (boa, mediana ou ruim) para o mundo; sua senha para a eternidade. Por isso, não se esqueça: jamais abra mão dessa mala, seja no casamento, no trabalho, na família, na sociedade.
Pois bem, “pombos” (ué? Já não são mais pombinhos), antes de casar era uma maravilha: cada um tinha um armário de quatro divisões, onde cabiam as 4 malas, tudo arrumado, ex.: para os perfeccionistas (naturalmente obsessivos, organizados, detalhistas, hiperativos e autoritários) ou desarrumado, ex.: para os bagunceiros (normalmente preguiçosos , artistas, desorganizados, proteladores e acomodados). Cada qual, após as brigas e discussões inevitáveis dos “pólos opostos”, voltava para seu próprio armário; seu próprio ninho. Por falar nisso, já viram como a gente adora casar com nosso avesso? Perfeccionista com desorganizado, esportista com preguiçoso, fumante com não fumante, tímido com extrovertido, caseiro com sociável, urbano com ecologista, ex-rico e nobre com ex-pobre e novo rico, médico psiquiatra com psicólogo (opsi!), tecnofílico com tecnofóbico, artista (após se separar 10 vezes de outros artistas) com empresário, romântico com pragmático: e agora querem viver juntos, e despercebidos de que ninguém nos treina para as diferenças e raras semelhanças contidas nas 4 malas que cada um carrega na vida. Assim, num belo dia, os “pombos” (ainda não depenados e cozidos) resolvem ir para um mesmo ninho (diferente dos ninhos anteriores de cada um, é bom que se diga). Esquecidos de que agora são 8 malas, um só armário de quatro divisões.
- Claudionor, quer tirar suas tralhas, que no armário não cabe tudo.
- Ô vaninha, se arredar um pouco ...
- Eu quero lá misturar cueca com sutiã, batom com espuma de barba, camisa do Flamengo com meu Pierre Cardin, água-velva com meu Herrera? Vá se danar; Claudionor.
- Mas, querida, cabe um pouco na despensa.
- Nem morta! Esse armário é meu, e você que se vire.
- Mas, florzinha, é só um tempo.
- Nem dois!
- Esquece isso e vem fazer amor, Vaninha
- Nem pensar, antes tenho que passar meus cremes, aplicar meu permanente, depilar, fazer limpeza de pele ... E você. Claudionor, não vai se lavar antes? Imagino aonde essa mão já não passou. Calça que usou na rua, em cima do meu “virol novinho”.
- Mas, santa, é nossa primeira noite juntos, antes não tinha nada disso.
- Se liga, Claudionor, que aqui já não é a casa da sogra, não, viu?
Essa história de mala, hein? Pera ai, quer separar? Não, não. Antes leia o capitulo final, é só uma questão de adaptação, respeito, afeto, amor ...
- Claudionooooor! Fez xixi na tampa da privada outra vez?! Pode limpar com pinho-sol e luvinhas, e não me toca até “desinfetar suas patinhas”.
Lar, doce lar!
Calma, quando nascerem os filhos, melhora (a Vaninha vai ter mais gente para xingar, psiu!).
Sim, existem casamentos harmoniosos: perfeccionista com perfeccionista, fumante com fumante, autoritário com submisso. Uma pena que isso não seja bem casar, é meio empobrecedor; isso é, sim, uma parceria de dois, onde continuamos a ser o que já éramos -
O quê? Casados há 30 anos e nunca brigaram? Fazem sexo duas vezes por semana? Dão beijinho na boca todo dia? Posso tirar uma foto? É que sou pescador e, se eu contar lá na turma, ninguém acredita! Além do mais, eu queria mostrar pros meus futuros netos, pois, do jeito que a coisa anda, vocês correm mo risco de ser extintos!
Mas resta a esperança de que, ao casar, nesse “novo ninho”, “novo armário”, o casal tenha maturidade de compreender que duas malas têm que caber em duas das quatro divisões: as malas da individualidade, que devem ser respeitadas e preservadas. Ai serão apenas mais duas divisões para seis malas ( a da herança genética, da educação familiar e a do meio cultural-sócio-econômico de cada um ). Nessa hora, vai ter que haver concessão, frustração, generosidade, vontade de dar certo, companheirismo, amizade, amor. Enfim, ingredientes fundamentais onde houver desunião, desarmonia, imaturidade. E como diria o filme “Da vida nada se leva” – a não ser a energia da alma de quem evolui o suficiente para respeitar o “outro” (qualquer que seja esse outro: filho, sócio, irmão, colega de trabalho, semelhante, etc..).

Livro Eduardo Aquino: PEQUENO MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA DAS GRANDES e também médias e pequenas CIDADES (4ª edição – Belo Horizonte/2000).

domingo, 21 de março de 2010

CAPÍTULO VIII : SÍNDROME DO QUE “O QUE DEUS UNIU O HOMEM SEMPRE SEPARA”

Ou: A epidemia do casa - separa, casa – separa...


Nada mais antigo do que o acasalamento. Ou nada mais natural, biológico cultural, espiritual... sei lá! É próton com elétron, espermatozóide com óvulo, macho com fêmea (e suas diversas variáveis), etc.. O Certo é que “pólos contrários se atraem”.
_ Ô Jofre, e o seu armário? Tudo misturado: camisa social com blazer, cueca com meia, tênis com sapato. Assim não é possível!
- Matilde, sua regra adiantou?
- Jofre, isso é jeito de falar?
É que sua TPM (tensão pré-menstrual) – Ô marido desinformado) atacou mais cedo esse mês.
- Jofre, já não agüento sua bagunça, seus atrasos, sua cueca no bidê. Chega!
-Calma, meu anjo (força de expressão), se acalma. Lembra do que seu analista recomendou. Vai fazer a sua terapia do azulejo. Duas horas lavando o azulejo e você se acalma. Te prometo: com o 13º e o FGTS compro um apartamento maior. Só pra você aumentar o tempo gasto com sua “mania de limpeza”.
- Jofre! Tira o pé da mesinha, e o dedo do nariz. Não vá colocar meleca debaixo da cadeira, você me conhece!
- Calma, Matilde, já tomou seu Lexotan, meu bem?
- Vou pra mamãe. Chega de viver nesse pardieiro, com um porco chauvinista!
Que é chauvinista?
- Não sei, mas escutei no programa da Sílvia Popovic e o homem ficou uma fera.
- Vai ver, era gay!
- Não me enrola, Jofre, se você não comprar outro apartamento, eu vou pra mamãe...
- Já vai tarde! É bom porque lá vocês se divertem juntas. Por falar nisso: ela ainda esteriliza os pratos, usa aqueles chinelinhos para não sujar o tapete, lava as mãos 34 vezes?
Jofre!
- Matilde, sabe de uma coisa? Vá se sujar!
- Tudo, menos isso, é o fim!

Uma estatística impressionante mostra que o número de separações em certos países europeus chega a ser 3 a 5 vezes maior que o número de casamentos. É incrível: o tempo médio de permanência do convívio entre os casais varia de 4 a 7 anos; é a famosa “crise dos sete anos”, cada vez mais difícil de se ultrapassar atualmente.
Você sabia que, antes de haver união civil ou religiosa, os acasalamentos entre humanos duravam esse período de 4 a 7 anos, que equivale ao tempo necessário para que a “cria” (filho) tivesse condições mínimas de sobrevivência? Ou ainda: a necessidade de nova conquista era fundamental para que o macho espalhasse seus genes por um maior número de fêmeas, e assim assegurasse a garantia da espécie, e também porque após os primeiros anos havia menor interesse sexual? Ou ainda, os últimos estudos neurocientíficos provam que, no início da relação, existem modificações na química cerebral, e com a “paixão” temos aumento de dopamina e fenilalanina , o que nos mantém extasiados, exaltados, “dopados” em relação a esse “objeto de paixão”, e então sentimos todos os sintomas típicos de drogados (abstinência, perda do juízo critico, necessidade cada vez maior, etc.)? Calma, apaixonados do Brasil! Como tudo, a paixão acaba e ai, além da ressaca (física, moral e financeira), quando isso acontece, existem dois caminhos mais comuns:
1 – aversão
2 – indiferença e um caminho mais raro – e bem mais morno - , mas muito gratificante e eterno: “o amor”!
Tempo de paixão? Pode durar dias, meses, mas no máximo 7 anos! Como diria minha avó: “Cuidado com a crise dos sete anos”!
Mas existem outras teorias: a urbanização criou uma sociedade de consumo, que banalizou as relações humanas; hoje somos rápidos, competitivos, imediatistas, fanáticos por novidades, estereótipos, mudanças (de casal, de parceiro, de endereço...). Nós consumimos rápido e assim enjoamos rápido, tudo rápido (até para ejacular é nessa rapidez).
Que linda, a sua mulher!
- Ex ...
- O quê? Já separou? Mas ela está de papo há horas com seu irmão.
- Ajuntaram.
- O quê? E você?
- Estou morando com minha cunhada.
- Nossa, que confusão! E como ficaram as coisas?
- Ficou tudo como antes, à exceção que me tornei pai dos sobrinhos, e tio dos meus filhos ....
- Ah bom! Perguntar não ofende ...
Como somos ingênuos, desinformados quanto ao casamento. Na vida aprende-se de tudo: matemática, português, medicina, ser funcionário publico, comportar-se socialmente, escolher religião, mas como escolher uma mulher, e a mulher escolher um parceiro, é duro! Tudo na base da intuição e instinto de sobrevivência.
O que te leva a casar? Ciúme, insegurança, interesse financeiro, sexual, vontade de constituir família? Sei lá o que te provocou essa “vontade para casar”! Mas não se esqueçam pombinhos e “dopadinhos” de paixão: no casamento cada um entra com quatro malas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

CAPÍTULO VII:SÍNDROME DA “FAMÍLIA QUE BRIGA UNIDA JAMAIS SERÁ AMIGA”

ou: Como se tornar estranho, num mesmo ninho genético.
(texto extraído do Diário de Cristiane, 13 anos, habitante de uma grande cidade).

Caro Diário:

Hoje tivemos finalmente a festa da família no colégio. O tema foi lindo, “Um tempo para amar”. Falava de como andamos sem tempo para relacionar em família.

Sabe, amigo Diário, eu ensaiei um pás-de-deux lindo. Papai chegou atrasado mais uma vez e nem me viu, mas garantiu que vai ver a fita (duvi-d-o-dó). Ele estava mal-humorado pois a festa foi domingo, na hora do jogo do Palmeiras. Foi uma tristeza: a mamãe brigou com ele e foi uma baixaria. Ela estava emburrada, disse que era o papai. Sabe, eu já sei. Ela tava era sem graça com as mães de meus colegas. Engordou 8 quilos e foi à festa de Training! Coitada, deve estar estressada de tanto gritar comigo (esse vício de ficar no telefone que a gente tem ... E eles nem sabem que a gente fala melhor, pois quando encontra, vem aquela “sem-graceza”) e também com o Léo – aliás aquele pestinha anda mesmo impossível: assou o pintinho (animal) do zelador no microondas, esvaziou o peru do vizinho do 304. Está de castigo – bem feito! 20 dias sem o vídeo-game. Está fazendo greve de fome, mas eu já vi ele roubando a comida da empregada. Acho que o stress da mamãe é esse, além de tanta correria na semana – shiatsu, cabeleireiro, massagem, tapeçaria, seicho no le, obra de caridade, etc..
É meu Diário, é duro ser mãe! Chego em casa, ela está estatelada e gritando “ fecha a porta”, “abaixa a TV”, “eu não suporto vocês nessa casa de loucos”. Ainda bem que ela descansa no fim da semana, vê 3 fitas e chora com os filmes. No domingo vê Faustão e namoro na TV do Sílvio. Papai: esse eu nunca vejo, trabalha, trabalha (mas quando ligo, não está no escritório). Quando chega em casa, lê 3 jornais e depois assiste ao jornal do SBT, o jornal Nacional e da Manchete. Anda muito calado e toda vez que mamãe grita e o Léo apronta, ele diz “Deus, o que fiz para merecer isso?”. Eu tento falar com ele, mas ele só diz “Hum , hum, hum” ou então “Filha, depois do jogo na TV e os jornais. Tem uma semana que eu quero mostrar o boletim: fui a primeira aluna e só tirei A! Mas não quero amolar papai, eu vi ele dizendo que está “hiperarrasado” pois perdeu uma grana na bolsa!
Nossa, vida de adulto é um saco! Há anos não vejo papai e mamãe sorrindo, se beijando ou abraçando. Tem hora que dá medo crescer. Bolsa de valores, massagens, filho para atormentar – ainda mais um capetinha como o Léo – além de IPTU, IPVA, Receita Federal, imposto disso, daquilo, condomínio, prestação, mensalidade escolar e ainda por cima “festa na escola” ... – Que pena, esse ano a festa da família foi tão bonita. Teve até pai e mãe que fizeram teatro pra nós (por que será que todo pai e mãe legais são sempre os dos outros colegas?).
Querido Diário, ainda bem que você existe, senão eu ficava louca, sem ninguém para conversar!
Ah, já ia esquecendo: tentei colocar a fita hoje a tarde, mas o papai me cortou: “Ô filha, logo hoje que tem Palmeiras e Bragantino” deve ser time bom : papai trocou meu pas-de-deux por ele ... Fazer o quê? Já sei: sonhar, sonhar com meu príncipe encantado, que vai subir no meu castelo pelas minhas tranças e me libertar dessa “prisão domiciliar, me fará feliz, teremos 6 filhos e viveremos felizes para sempre (Que Deus não me dê um filho como essa praga do meu irmão Léo...).
Diário amigo, vou dormir, pois já são 22:27 hs e amanhã tem escola e quero ver o que minhas amigas acharam do meu balé. Essa festa “Um tempo para amar” foi linda! E, afinal, 13 anos só se tem uma vez na vida!
Cristiane, 20/06/96

Tempo de amar, de curtir ... Ai, papai, mamãe e irmãozinhos: quanto tempo vocês dedicam para a família? Curte um Bragantino da vida? E a última fita de vídeo-game: Mortal Kombat? Quantos jornais já leu ou assistiu hoje? Novidades? Guerra no Oriente, crime no Rio, trânsito em São Paulo, desemprego? FHC, ACM, Maluf, Lula, Zagalo? É ... grandes novidades!
Enquanto isso ... em Gotham City ...

Há coisa mais antiga que família? Avós, tios, pai, mãe, filhos, irmãos, primos, domingos de ajantarado, natais cada vez mais indigestos e eletrônicos. Parabéns para vocês! Sim, pois com toda crise, separações, desemprego, gravidez precoce, brigas, tapas e beijos, mesmo assim família sempre foi, é e continuará sendo, a base da sociedade. Aliás, quanto pior a família, pior vai a sociedade. É ali, no meio da macarronada de domingo, da ressaca de 2ª feira e das aflições dos fins de semana (filhos soltos, pais de plantão), é bem ali que teremos que aprender a conviver com irmãos tão diferentes, (irmão é sempre um saco, toda vez que constatamos que o espermatozóide do papai e o óvulo da mamãe são de geração e códigos diferentes dos meus – defeito de série – a marca é igual, mas o modelo é diferente, sabe?. Pois somos “filhos de chocadeira” – pai sem tempo, ganhando o pão e viciado em jornais e internets, mães impacientes com filhos cada vez mais agitados e agressivos, além de trabalhar fora, dentro de casa e dentro do quarto (quando dá e se é que dá ... tempo).
Família! Sim, é onde você se asila quando separa, é para lá que foge quando dá tudo errado,é ela que te acolhe no desespero, te agüenta na fossa, e ainda se preocupa com você. Família, que cisma em existir, mesmo quando te iludem dizendo que seu micromultimidia resolve tudo! Sai dessa, computador não faz carinho, nem tem alma ou pulsa coração. Mas vamos voltar ao be-a-bá: estamos carentes de tempo para nos relacionar. Comece em casa, plante afeto e colha amor, seja eterno no coração dos seus.
Quer resgatar um “tempo para a família”? Oriente-se no final e reencontre o caminho, em meio a tanta falência de casamentos, desunião familiar, dificuldades nas relações de pais e filhos ... E lembre-se: o outro é a comprovação de minha existência.


Livro Eduardo Aquino: PEQUENO MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA DAS GRANDES e também médias e pequenas CIDADES (4ª edição – Belo Horizonte/2000).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO VI: SÍNDROME DO “APOSENTADO DA VIDA”



ou: Como finalmente se libertar do emprego, do chefe, dos horários e se escravizar pela TV, Jornais, filas no banco ...

Qüinqüênios, férias prêmio, 10 programas de qualidade total, 3 períodos de reengenharia, 1 privatização, 1 estatização, 8 presidentes, 6 governadores, e, enfim, faltam 2 dias para aposentar! Chega! 30 anos depois, uma considerável barriga, carequinha franciscana, cabelos brancos, apesar do Grecim 2000, 3 filhos, 8 netos, 2 casamentos...
A festa foi linda, bolo, guaraná, relógio de ouro. Enfim, livre com direito a retirar FGTS e todo o fundo de pensão. Já não existe compromisso de horário, dorme a hora que quer, levanta cada vez mais tarde, assiste a uma média de 8 horas de TV a cabo por dia, lê 4 jornais, implica com a empregada que ligou o aspirador em plena madrugada (9:30 da manhã!), almoça vezes por dia, belisca o dia inteiro, confere o extrato bancário em nível de centavos, grita que não é a casa da moeda, cada vez que a conta telefônica chega e os impulsos telefônicos aumentaram. Já está até controlando as luzes para diminuir a conta e já faz contas para ver se vale a pena implantar aquecimento solar. Os netos ... ai,ai,ai, os “Duracell” dos netos, que não param um segundo de gritar na casa do vô. Eta pilha, sô!
O pijama, a preguiça ... que vidão! Que vidão?
Pois é, já está freqüentando fila do INPS só pra conversar com alguém e falar mal do governo. Três vezes por semana, saudoso, visita a seção e percebe que o humor dos ex-colegas é cada vez pior.
Sair à noite? Nem pensar. Á tarde já está perigoso: nas grandes cidades até parece que pivete tem informante no INSS, pois são especialistas em “pungar” bolsa de aposentado. Além do mais, não perde a novela das seis, jornal das sete, novela das oito, jornal das dez ...
Acompanha até hóquei sobre gelo, campeonato dente-de-leite e programa da Hebe!
Meu Deus! 3 dias sem fazer barba. A mulher se matriculou na Universidade da Terceira Idade, só pra não se encontrar com tanta implicância e mau humor!
Vidão hein? Sonhou tanto ... Ia fazer e acontecer.
Ei, psiu! Responda ai, se for capaz: após 250.000 anos de sociedade humana razoavelmente organizada, há quanto tempo surgiu a tal da aposentadoria?
Ou ainda: no início deste século, havia 3 trabalhadores para cada aposentado. Hoje, em determinados países europeus, já está na base de 1 pra 1; E daqui a vinte anos ...?
Cadê a sabedoria acumulada, a riqueza existencial, a competência erguida anos após anos? Ai na frente da TV, conferindo poeira nos móveis, fiscal de empregada doméstica, fazendo fezinha no “bicho” (ou na loto, que dá no mesmo).
Sai dessa, amigo! (e não toma Skol não).
Falar nisso, que tal um joguinho de damas?
Será que a instituição da aposentadoria foi uma conquista do trabalhador? Qual a dignidade, o valor, o respeito que nesse nosso mundo ocidental – materialista, competitivo, capitalista – foi dado ao idoso, ou àquele que durante décadas acumulou experiência, sabedoria em sua atividade?
Não, assim não é possível! O aposentado virou lixo, peso para a previdência, problema na mão dos médicos, assistentes sociais, políticos, etc.. Não se sustenta nem no financeiro, nem na dignidade, nem no próprio contexto familiar e social. Virou sinônimo de problema, doença, gasto social e familiar. Chega!
Vamos libertar esses “excluídos de grandes centros” prisioneiros da tecnologia, habitantes das “solitárias” em que se transformaram os habitáculos (apartamentos, favelas) dessas frias metrópoles, sobreviventes de assaltos de pivetes, assaltos de governantes, de INSS, de filhos sempre ocupados, de TVs, filas intermináveis, sistemas de saúde falidos, etc..

E como era antes? Antes, os jovens eram treinados para ser guerreiros e caçadores, enfrentar riscos, ser ágeis, rápidos. Depois viravam adultos, defendiam as tribos, inventavam armas, trabalhavam na agricultura. Finalmente, quando idosos, eram valorizados como conselheiros e sábios e, de forma respeitosa, passavam suas experiências de guerreiros, xamãs e grandes agricultores.
É, que pena aposentar-se do mundo, da vida, das mudanças, dos desafios. Quer voltar a viver? Saia dessa selva de problemas modernos e urbanos, siga as dicas no final.
Livro Eduardo Aquino: PEQUENO MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA DAS GRANDES e também médias e pequenas CIDADES (4ª edição – Belo Horizonte/2000).

P.S.: Faça contato pelo blog www.eduardoandradeaquino.blogspot.com e também no Twitter: www.twitter.com/eduardoaaquino.Aos que quiserem ser .... parceiros, peço que leiam meu livro: Bem Vindo a Vida, lançado pela Editora Sextante, sublinhando conceitos que julgarem relevantes. Este é o livro básico que em forma de romance, apresento minha visão do mundo.Pode se encontrado nas melhores livrarias, e também ser obtido via internet (submarino.com, americanas.com, leitura.com, etc..).


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CAPITULO V:A SÍNDROME DO “Estou fu ... e mal pago Ou: A crise do emprego nas grandes cidades.

Livro Eduardo Aquino: PEQUENO MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA DAS GRANDES e também médias e pequenas CIDADES (4ª edição – Belo Horizonte/2000).


“ah que saudade que tenho do aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais” (Casimiro de Abreu).

É ... o que você queria ser quando crescer? Antes era fácil: agricultor, comerciante, funcionário público, médico, advogado, engenheiro, professor ou dentista. Hoje são 108 profissões! Haja vestibular, essa indústria dos cursinhos, o bombardeio do “mercado de trabalho”, testes vocacionais, seguir carreira dos pais. Ô inferno! Por que será que ninguém me pergunta meu dom e talento, e todo mundo só se interessa em saber quanto ganho e em dizer: - É um privilegiado! Tem trabalho, dê graças a Deus!

Ei, você ai, quando era pequeno, sonhava em trabalhar no Banco do Brasil, na Caixa, na Prefeitura, no Estado? Quanto te custa trabalhar ai: frustração, nervosia, insatisfação, programas de qualidade total e chefes autoritários ou que caíram de pára-quedas políticos? E você? PHD, qualificado, naquela mesa de canto, esquecido, esperando aposentar?

Posso ser franco? É o fim da picada: o mundo termina aqui! Fim dos tempos: é infeliz no emprego e ao mesmo tempo morre de medo de ficar desempregado! Odeia ter que ir pro trabalho e odeia voltar para casa e encontrar a mulher ralhando com os “capetinhas”. Mundo cão., “Matou o chefe, a mulher, e foi ao cinema assistir ao filme Robocop” (conforme deve ter visto, isso apareceu no capítulo anterior no Jornal Nacional).
Engenheiro que viram padeiros, médicos que vendem produtos Amway e advogados de porta em porta: “Avon Chama”.
-Filhinho, estuda passa no vestibular: Só assim será alguém na vida!
Notícia ruim: o emprego formal vai acabar, assim como a aposentadoria.
Notícia boa: só no último capítulo (não beba tanto, senão o stress e a angústia te consomem antes do fim do livro).
- Querida, apronta, coloca aquele vestido preto na nossa lua-de-mel (mas não se esqueça da cinta para segurar a barriga), lembra daquele restaurante chiquérrimo aonde nunca fomos? Pois prepare-se: é hoje!
- Mas meu bem, são só 19 horas, e você nunca sai da empresa antes das 22.
_ Hoje é o dia mais feliz da minha vida amor:
Meu Deus! Ganhou na loto?
- Não.
- Foi promovido a gerente-geral?
- Não!
- Já sei: seu professor de pós-graduação de Harvard quer te levar para Boston?
- Amor, nada disso. É muito melhor.
- Nossa, Aguinaldo, há mais de 15 anos não me chamava assim tão carinhosamente. Gui, você não ta de amante nova, não é?
- Poxa, Bel, que difícil de fazer surpresa, relaxa e ...
Mais tarde, em Gotham City (o melhor motel da cidade)....
- Nossa, Gui, foi a melhor noite da minha vida, esse anel, o restaurante, e olha bem, foram 3 vezes (fora a ejaculação precoce que não conta). Agora fala.
-Bel, meu bem, minha ternurinha, fui despedido! Aleluia, estou desempregado. Fim daquele chefe, dos vidros fumês, do ar condicionado central, dos pregões na bolsa, das reengenharias, das organizações e métodos, do trânsito infernal, do desconto do imposto na fonte, das viagens e chás de aeroporto. Livre!
- Gui, estou pas-san-do mal, nauseada, acho que vou desmaiar.
- Bel, vai ver é o salmão de 230 reais. Calma, meu bem, como vomitar algo tão caro? Eu ainda não te contei a melhor parte: comprei um trailer com a indenização, uma casa de pescador em Porto Seguro e vamos, enfim, ter nosso próprio negócio – venda de sanduíche natural e água de coco. E viva o mar, o ar, o sol ...
- Alô! É da gerência do Gotham City? Será que podia mandar o Batman, aliás, desculpe, gostaria que enviasse o serviço médico aqui para a suíte presidencial.
- Não, nada de crime passional! Quê isso, meu chefe! A hipótese diagnóstica é intoxicação por salmão estragado ou “perda rápida de status” com abaixamento da pressão arterial ou desmaio histérico de ex-mulher.
Por falar nisso, que tal uma economia informalzinha? Ta servido?
Reflita: ama o que faz?Trabalha feliz (não vale workholic – viciado em trabalho)? Acorda a cada dia e agradece a Deus e diz: “Que delícia mais um dia de trabalho”? Se a resposta é não, N-A-O- TIL, cuidado! Você anda sobrevivendo e não vivendo.
Sem dúvida, neste século, vimos uma explosão de especialistas, tecnicistas, tudo muito específico: “técnico em condução de veiculo, automotor com deslocamento vertical”. Quanta complicação para dizer “ascensorista”.
E as relações de trabalho explodiram: mulheres que até o início do século só tinham 3 tipos de emprego (casar, ser solteirona e cuidar dos pais, ou ser a “outra”) vieram para a luta e já são mais numerosas, muitas vezes melhores e mais eficientes que os homens e, com isso, criaram-se novos fatos: mulheres cabeça-de-família, executivas que não encontram parceiros à altura e hibridas donas-de-casas-mães e trabalhadoras insatisfeitas com ambas as coisas.

Alguém já pensou que, muito antes da modernidade, erguiam-se cidades, plantava-se, tratavam-se pessoas, comercializava-se, pintava-se, faziam-se músicas, criavam-se leis, educavam-se filhos (bem ou mal, igualzinho hoje). Mas não havia carteira assinada, faculdade, etc..) Talvez, naqueles tempos, houvesse mais liberdade para se “buscar um lugar no mundo” baseado em habilidades e talentos. Grandes filósofos, matemáticos, botânicos e até políticos! Tudo mais natural, sem marketing, sem uso de tanta corrupção (pois isso é antológico). Tudo bem, não havia tantas garantias (aposentar, FGTS, SUS, etc.). Mas e hoje? Você se sente garantido? Cheio de sindicatos, constituições, poder legislativo, judiciário, executivo, e você acredita neles? Chefe, empresa idônea estatal, reengenharia, está tranqüilo? Ninguém garante ninguém: nem avalista, nem banco, nem juiz, nem deputado, nem presidente. “Ô governo lhe deve tanto? Tem neto? Talvez seus netos recebam. Enquanto isso, que tal ir à luta?
Talvez estejamos voltando à época do “escambo” ou das trocas. Legal, prestadores de serviços mútuos. “Troca um quadro por uma consulta. Troca seu talento de marceneiro – fazendo mobília em casa – por 20 sacos de arroz. Troca seu apartamento na praia, no mês de janeiro, por um tratamento dentário completo”.
Valor – quanta ilusão! Segurança e garantia – quanta balela! Sabia que sal já foi moeda, ouro foi garantia? O tempo e as coisas mudam, menos nossa índole, nosso dom, nossa capacidade de sonhar, de ter fé, de seguir superando problemas e desafios.
Faz poupança, preocupa-se com o futuro (lembra-se do Collor?). Que tal usufruir a vida e sempre se dispor a seguir mais e mais na vibração do momento?


P.S.: Faça contato pelo blog www.eduardoandradeaquino.blogspot.com e também no Twitter: www.twitter.com/eduardoaaquino.Aos que quiserem ser .... parceiros, peço que leiam meu livro: Bem Vindo a Vida, lançado pela Editora Sextante, sublinhando conceitos que julgarem relevantes. Este é o livro básico que em forma de romance, apresento minha visão do mundo.Pode se encontrado nas melhores livrarias, e também ser obtido via internet (submarino.com, americanas.com, leitura.com, etc..).

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CAPITULO IV:A SÍNDROME DO AVESSO DO AVESSO


OU: OS GRANDES PARADOXOS DO FINAL DO MILÊNIO

Eis que nos aproximamos a passos largos (ou seria melhor “o trânsito cada vez mais lento” e o tempo cada vez mais rápido, sem contar o tempo perdido pela pressa de querermos fazer tudo ao mesmo tempo) do final desta década, deste século, deste milênio – ufa, haja champanhe! O certo é que nunca os paradoxos foram tão evidentes. Senão vejamos:
1º) Pobres e ricos já são vizinhos e parceiros (de bairro, de supermercado, de praia, etc.) e costumam partilhar desde uma vista exuberante e – cá entre nós – mais privilegiada dos morros, e, sem dúvida, até mesmos problemas: polícia corrupta, trânsito louco, poluição sonora e do ar irrespirável, até os mesmos políticos e economistas, bem como as mesmas novelas. Falar nisso, qual o nome da antepenúltima novela das 8 da Globo? Não se lembra, nossa! Passaram-se quase 180 dias! Anda aproveitando mal o seu tempo, hein?
- Querida, sua cobertura é divina! Que vista linda, o Oceano Atlântico ali! Mas, meu bem, seu decorador é fantástico: no outro lado aquele painel de casebres é im-per-dí-vel! Deu pra ver cenas de bangue-bangue, sexo ao vivo e tudo mais.
- Já até contactei um aviãozinho e lá em casa hoje vai ter “carreiras”...
- Não, meu amor, eu odeio ópera.
- Ah! Deixa pra lá!
- Falar nisso, tem heliporto no prédio, em caso da evacuação rápida por guerra de tráfico? Não!!! Que descuido do arquiteto.
Pois é, bem que o Caetano avisou: cidade grande é o “avesso, do avesso, do avesso”, onde todo mundo se encontra e ta todo mundo só.
Algumas estatísticas impressionantes, lógico, não aparecem nos dados do IBGE, que alías está parado, pois os pesquisadores só retornam após a multivacinação dos cães, e quando os ricos retornarem de suas férias no Nordeste, a classe média voltar da excursão para Miami, e as sacoleiras de Nova York e os trabalhadores chegarem em casa, porque os ônibus estão retidos no congestionamento e os trens de subúrbio quebrados. Mas voltemos aos grandes paradoxos do fim do milênio:
2º) Quem tem dinheiro está passando fome pois quer emagrecer e gastar dinheiro no SPA mais famoso, e ver se encontra aquela atriz da Globo (deve ser um complexo não resolvido) que sofre de anorexia nervosa e cismou de perder 128 gramas da região peitoral, mesmo com os médicos dizendo que ali antes havia uma coisa chamada “mama”.
Quem não quer engordar está passando fome, pois não tem dinheiro. Não se esqueçam, somos o 2º lugar do mundo, no campeonato de desigualdade de distribuição de renda. Mas não se preocupem, se não acordarmos políticos, economistas e toda a classe dirigente, ainda nos conduziremos ao lugar mais alto desse pódium: o Pais mais injusto do mundo!
A última do SPA: a madame X foi flagrada em corrupção ativa, tentando trocar um pingente de ouro cravejado de diamantes por 2 rodelas de tomate com a cozinheira novata. Ambas foram levadas à 938ª Seccional da polícia onde foi lavrado o flagrante. Para o deleite da madame X, que saiu esfuziante com dois quilos a menos da delegacia (até se dar conta de que faltavam 2 braceletes, 1 relógio de ouro, Rolex ... legítimo, 8 anéis, 2 colares de pérola e 12 obturações de ouro). Registrada nova ocorrência e nunca mais se ouviu falar da tal madame X. O marido, quando se apercebeu, disso ( 7 meses depois), fez questão de doar duas novas rádio-patrulhas BMW para os valorosos defensores da lei (eu disse lei?).
3º) Desculpe a verborragia, mas adiantei o 3º paradoxo: quem quer proteção tem de tomar cuidado com a polícia. E os melhores assistentes sociais são os donos-de-boca-de-fumo. Mas não se iludam, já não existe diferença entre quem é bom ou mau, a favor ou contra a lei: tem muito marginal assaltando com colete roubado da polícia e muito policial à paisana em atitude suspeita. Violência urbana é assim! Recorremos a Sheakspeare, diante de uma blitz às 3 horas da manhã na linha vermelha: “Parar ou morrer? Eis a questão!”.
4º) Está se sentindo mal? Cuidado aonde vai. Segundo as últimas estatísticas publicadas na Veja e feitas pela USP, 59% dos médicos são pessimistas quanto ao futuro, 80% insatisfeitos com o que fazem.
“Ah! Tem convênio”. Bom sinal: em vez da fila de rua do SUS, agora é fila no telefone. O tempo de atendimento se equivale (3 minutos), mas no médico de convenio a gente sai cheio de pedidos e exames. Vale aí a estatística, é americana: 78% de exames normais, 60% de cirurgias desnecessárias É hipocondríaco? Ai, ai, ai, aposto que já tirou apêndice, vesícula ...
Hospital, cuidado. Ali é onde residem as mais virulentas das populações de bactérias. É isso mesmo, antibiótico para elas é que nem fermento para bolo, só faz crescer. Fuja rápido ou sua plástica ficará linda, mas a infecção hospitalar ainda te leva pro UTI.
- O quê? É bom que perde peso?
É, tem de tudo nesse mundo, até médico que cura e é carinhoso .... Juro!
5º) Outro paradoxo interessante é do rico preso em muros de 6 metros de altura, com guarda-costas, carro blindado, vivendo em “prisão domiciliar”, morrendo de medo de ser seqüestrado, ou apanhado pela Receita, ou apavorado se o banco em que aplica vai quebrar, ou se as ações vão cair. Ô vida de cão! Quanto à “geral”, vai bem, livre, leve, solta, baile funk, sol na praia. É .... mudou muito o conceito de liberdade! Como diria Einstein: “Tudo é muito relativo”.
6º) O Japão, a Europa, enfim o 1º mundo está descobrindo que o que antes era defeito dos brasileiros, latinos e africanos, tornou-se virtude: alegria, samba, sexo, preguiça, improvisação. E estão importando o futebol, a música, as mulatas e, ao mesmo tempo, nos vendendo tudo que deu errado lá. E olha nós importando “qualidade total”, reengenharias, organização e métodos, Best-seller de milagres econômicos...
“Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração” (valeu, Carlos Drumond de Andrade!).
7º) A lei do rápido que ficou lento: Ta com pressa em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, aliás em toda grande cidade, deixe o carro em casa, que tal ir a pé ou de bicicleta? Note quantos quilômetros você anda fazendo por hora no seu carro, ao ir e vir. A pé, 6 km/h e ainda produz betaendorfina que dá prazer e equilibra o colesterol, além de tirar a barriga. Bicicleta entre 20 e 30 km/h. Ta bom ... seu carro tem ar condicionado (não perca os próximos capítulos: Síndrome da Natureza Artificial) e você prefere nunca chegar no horário, mas adora o ar fresquinho e suar só depois com a bronca do chefe e ameaça de desemprego.
Ah! Que maravilha, a empresa entrou na Internet? Pois há estudos mostrando que 40 a 50% do tempo em grandes empresas são gastos em jogos eletrônicos, paqueras eletrônicas, sexo virtual e outras “distrações eletrônicas”. E o pior: de tanto ter acesso a milhões de informações, os executivos entram em stress por não saberem escolher, filtrar e organizar as informações e se queixam de que 63% de seu tempo é perdido na já chamada Síndrome da Indecisão, por falta de bom senso na escolha e capacidade de renúncia!
É informação veloz, multimídia, tecnologia de ponta, seres humanos cada vez mais lentos, bobos, regredidos (vício em joguinhos, mulheres peladas, paqueras eletrônicas e em casa mulher e três filhos esperando uma “atençãozinho que seja”).
É, meu filho vamos transformar este livreto em CD (mas espere eu morrer antes, ta?) ou seria o maior dos paradoxos.
É, está tudo errado, deu pra sentir? Talvez o mundo tenha virado de perna-cabeça e a Rede Globo e a Microsoft não nos tenha avisado para não atrapalhar o lucro com “toda essa loucura”, que ainda dá Ibope. Por falar nisso, foi feita uma pesquisa nos Estados Unidos, onde se constatou: notícia ruim tem 95 transmissores, “CE viu, Maria, o pai que matou as filhas, a mulher, o chefe e foi na maior calma assistir ao Robocop?”, e notícia boa tem apenas 16 transmissores, “está surgindo uma nova visão no estudo sobre o ser humano, chamado Ecologia Humana, que visa resguardar as relações saudáveis e naturais entre o meio ambiente externo e o meio ambiente interno do ser humano, procurando resgatar a harmonia, o bem-estar e o prazer natural pela vida”.
Quem quiser sobreviver ao final dos tempos modernos, fim do milênio e essa selva das grandes cidades, um aviso: saia desse transe de querer mais e mais conforto, mais e mais dinheiro, mais e mais poder, tecnologia, ilusões virtuais de um mundo individualista, tenso, inseguro, insatisfatório, e volte a resgatar seu tempo, seus amores, sua alegria: volte para a natureza, para Deus, lugar aliás de onde nunca deveria ter saído! Como? Instruções nos capítulos finais (não antecipe, por gentileza).

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CAPITULO III: SÍNDROME DO “QUE DEUS ME AJUDE E PERNAS PRA QUE TE QUERO”


Ou: A violência urbana: quem é quem nessa selva? O fim da segurança pessoal e coletiva.

Feliz é você, leitor, chegou até aqui. Muitos foram abatidos no caminho. Balas perdidas, seqüestro, violência no trânsito, atropelamento, assalto, policia que erra o alvo ... Ufa! Andar à noite, pra ver lua cheia? Passear com o filho em estádio de futebol?Parar no sinal com vidro aberto? Essas coisinhas simples, liberdades básicas, nem pensar! Nessa selva das grandes cidades, o treinamento começa cedo: “Olha os pivetes” , não vai com relógio”, “tira o tênis importado”, “não usa mochila”, “não aceita bala nem bombom”.
- Ô mãe, que tal não ir à aula, hein?
É... Tudo hoje é medo, insegurança, ansiedade, gerando pânico, agressividade, desconfiança. Que stress! Ficar em casa? Cuidado: os assaltos às residências triplicaram. Ir para apartamento, o assalto é coletivo. Chamar a polícia, olha o prejuízo! Colocar segurança, cuidado com seqüestro! Se ficar o bandido pega, se correr o bandido come!
- Mãe, hoje fugi de 8 pivetes na saída do colégio.
- Eles te ameaçaram?
- Não, mas eram pretos, pobres e malvestidos.
- Que isso, filho, eram apenas pessoas humildes, assim você se estressa à toa!
No dia seguinte:
- Que isso, filho, ta todo arranhado, sem roupa, meu Deus o que aconteceu?
- Pessoas humildes me assaltaram, mas não se preocupe, mãe, nem me estressei!
Aonde vimos parar? Acabou a linha divisória entre certo e errado, bom e mau, lei e marginalidade. Vivemos um faroeste moderno ... todo mundo armado, xerifes, bandidos, bancos assaltados, sirenes estressando as ruas, balas cruzando os céus, drogas no lugar do uísque. E nós, pobres mortais? Em busca de heróis, paladinos, justiceiros e, se possível, a mocinha no final desse filme, ou do mocinho para elas, é claro.
E o que fazemos no meio desse “fogo cruzado”? Assistimos impassíveis às chacinas no Rio, à tragédia do Carandiru, gente decapitada, tudo mostrado em cores no Jornal Nacional. E entre bocejos e indiferença, aguardamos a novela rural das oito e nos injuriamos com o mau caráter que persegue o Antonio Fagundes.
Sim, amigos, banalizamos a violência e somos também agressivos: no trânsito, no trabalho, no convívio familiar e social, principalmente quando aparece bebida, droga e promiscuidade sexual. Ai, adeus bom senso e paz!
Infelizmente, a agressividade, a incompreensão, o ódio, a raiva se tornaram linguagem comum em nossas relações diárias. Fruto de quê? Insatisfação, injustiças sociais, frustrações, desemprego, indiferença, excesso de individualidade em detrimento da solidariedade e espírito comunitário. Excesso de estímulos negativos (TVs., filmes de violência, games, precário ambiente familiar, favelização). Este é o preço de morar em grandes centros.
Cadê a fé, o amor, a justiça, a distribuição correta dos meios de sobrevivência, elementos essenciais na reversão desse quadro?
Somos vítimas de nós mesmos?
Soluções: seguir à risca as dicas no final do livro e, principalmente, rezar!


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sábado, 20 de fevereiro de 2010

CAPITULO II: SINDROME DO ZUMBI




OU: Como trocar o dia pela noite, rodar na madrugada e voltar sozinho pra casa, de porre, amarrotado, assaltado, e achar que isso é ser “bom vivant”.

Grandes cidades, grandes programas, vida noturna agitada, neon, louras, vamos a tudo quanto é teatro, cinema, boate, danceteria (pois à noite não só os gatos são pardos, como toda mulher é loura, vamp e ajeitada – pelo menos depois do 2º uísque ou 3º cheirada).
Depois que a Globo glamourizou as cidades aumentaram as favelas e os migrantes: afinal nas grandes cidades tudo é rico, chique, perfumado (sob os vidros e liga o ar), sexual e fácil. Parece até que no dia seguinte ninguém trabalha. Só sexo, droga e rock-and-roll.
Pois bem, notívagos e viciados na noite (cuidado com o termo viciado, pois pode ter um sentido lato ou relativo, e eu não posso ser injusto). Existe uma segunda tribo: os notívagos encavernados, com comida japonesa a domicilio. Jô Onze e Meia (em geral meia-noite e meia), TV a cabo no HBO ou x-rated e aquela cervejinha amiga.
Caros zumbis, nós, os chatos dos neurocientistas, estudamos uma área bonita da atuação do cérebro: cronobiologia, ou seja, a relação do tempo e do cérebro, as relações sono-virgilia, esses detalhes da natureza, que a gente cisma em contrariar. Depois vem a conta apresentada por Deus!
Mas as dicas de sono, só no final, ou sua leitura terminaria aqui.
- Ô, veja por onde anda” Não suporto esses atletas de madrugada. Ô crente, vai fazer Cooper as 5 da manhã lá no Japão, porra!” Tem gente que não se emenda, vê se isso é hora de acordar! Aposto que toma gatorate, come sucrilhos, toma banho frio e é vegetariano. Tem pai que é cego!
- Ô bem, pára de implicar com os outros, afinal foi você quem apagou em pleno calçadão.
- Bem??? Quem é você?
- José Arlindo, mas pode
me chamar de “Lolita”, não se lembra? Tivemos um “Love” essa noite.
OBS.: “Lolita” era do tipo louro, vamp – como já dissemos ao Sr. Bon vivant, à noite todos os gatos são pardos!
Tem gente que é bêbado, burro e pueril! Falar nisso, o que é aproveitar bem a vida e a noite, heim?
Pois talvez não nos tenhamos dado conta de que, há duzentos e cinqüenta mil anos, nós mamíferos superiores seguíamos instintivamente, como todo animal, as leis da Natureza, e assim tínhamos regras bem simples: luz estimula vigília (estar acordado) e escuridão estimula sono. Há 5 ou 6 décadas, com o advento da luz elétrica, do rádio, da televisão, do micro, da urbanização das grandes cidades, do neon, das bebidas e das drogas, do sexo fácil e descartável, enfim do “mundo dos homens” (artificial e enganoso), perdemos as relações sono-virgilia e passamos a contrariar as leis divinas na hora de dormir, olha nós no “maior embalo” e, na hora de acordar, estamos no “2º sono” e/ou na hora de almoçar, e nessa inversão luz/escuridão lá vem:
• “A insônia, ou os diversos distúrbios de sono (apnéia noturna, bruxismo, hipersonia, pavor noturno, sonambulismo, etc.) já atingem quase 60% das pessoas em grandes centros.
• As síndromes depressivo-ansiosas (fobias, pânicos, depressão maior, distimias, ansiedades generalizadas, transtornos obsessivo-compulsivo, etc.) se tornaram epidêmicas e já atingem crianças, adolescentes, adultos, idosos, numa proporção de 2 para 1.
Ah, que saudade das cadeiras para fora, dos saraus, do convívio terno das famílias, vizinhos e amigos, do luar, do dia nascendo: “Deus ajuda a quem cedo madruga”. Ta certo, me chama de “babaca”, mas Deus um dia traz a conta dessas noites mal dormidas! “Que tal um stress, uma deprê, ou uma esclerose? Ta servido?!”



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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO I: Sindrome da falta de tempo - Continuação


Ou: Como não fazer nada significativo o dia inteiro e constatar apalermado que já está na hora do “Jô Onze e Meia”.

Continuação:


Bem, voltando a nós: em que fase da Lua estamos? Olhou pro céu, não viu estrelas? Cidade grande não tem céu, e Lua cheia a gente vê é em telões e de preferência na novela rural da Globo. Dá um ibope!
- Psil, cala a boca Madureira, que estou assistindo à novela e não tenho tempo de escutar suas lamentações desse tal programa de Qualidade Total!
- Quem é esse barbudo que está usando meu micro?
- Seu filho mais velho, Madureira, o Jr., que já produz testosterona e tem 17 anos!
- Filho, como você cresceu! E eu nem tinha reparado.
Vale então um lembrete da Física Quântica: tempo é uma criação psicológica dos seres humanos. Uma ilusão cartesiana. Atenção, sofredor antecipatório (prisioneiro do futuro): alguma vez, o que você fantasiou ou projetou realmente aconteceu tal qual sua imaginação arquitetou? Não, né, e ai bate uma frustração hein? Ou então, angustiado e deprimido (prisioneiro do passado), vivendo culpas e erros pretéritos: reparou na beleza dos ipês em setembro e como a vida é vibrar com o momento? Desapegue assimile o que não tem jeito de mudar, tente entender que não adianta caminhar de costas na vida. Vire e descubra que a luz, o horizonte, estão à frente.
Última pergunta: o que você fez há 23 dias atrás? Não lembrou? Cuidado: toda memória depende do afeto (alegria, tristeza, raiva, entusiasmo, etc.). Se você anda se esquecendo desse período de 24 horas inteirinho, é mau prognóstico: está aumentando o número de portadores da doença de Alzheimer – demência senil precoce ( onde coloquei as chaves do carro? O quê? Ele já foi vendido o mês passado para pagar o cartão de crédito? Ah, bom!). Esquecimento é sinal de pouco prazer ou estar sempre preocupado com o futuro.
Para combater essa síndrome, leia o capítulo final – não, não! Nada de pular os outros capítulos. Ou então você não entendeu nada do que foi exposto. E, aliás, a Marginal está entupida e a chuva não vai passar, dá pra ler tudo a caminho de casa.
Hã? Não deu para chegar em casa? O trânsito está péssimo e a Marginal inundada? Está tentando pegar o balão para retornar ao trabalho? Bom, acho melhor então fazer a barba e escovar os dentes, antes de reiniciar a leitura: - o dever te chama! Ainda bem que seu carro já está equipado com um “minilar”, afinal o ir e vir no trânsito que já não anda me lembra novamente meu avô Aquino, que nos idos de 1964, olhando uma rua no centro da cidade, fez mais uma de suas sábias observações: “A rua não aumenta de tamanho, cada vez constroem mais carros, as pessoas vão depender mais e mais deles, pois vão morar cada vez mais longe, e na hora do início ou fim do trabalho, todos juntos, não vai caber não! Eu a pé, serei mais rápido que vocês no carro!” Nós, eu e meus primos, rimos muito da “loucura do vovô”. Três décadas depois, fim do século e no meio desse trânsito maluco, que nos rouba o bom humor, o precioso tempo (perdido em tantas bobagens) já anda matando pessoas com brigas no trânsito; sou obrigado a dar as mãos à palmatória: vovô Aquino era uma “máquina de sabedoria” – dessas que nunca vão inventar, a não ser Ele – o nosso Pai!

P.S.: Faça contato pelo blog www.eduardoandradeaquino.blogspot.com e também no Twitter: www.twitter.com/eduardoaaquino.Aos que quiserem ser .... parceiros, peço que leiam meu livro: Bem Vindo a Vida, lançado pela Editora Sextante, sublinhando conceitos que julgarem relevantes. Este é o livro básico que em forma de romance, apresento minha visão do mundo.Pode se encontrado nas melhores livrarias, e também ser obtido via internet (submarino.com, americanas.com, leitura.com, etc..).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO I: Síndrome da falta de tempo



Ou: Como não fazer nada significativo o dia inteiro e constatar apalermado que já está na hora do “Jô Onze e Meia”.

Não existe expressão mais comum hoje em dia do que escutar de amigos, colegas de trabalho e escola, pais, filhos, esposo ou esposa, enfim de “outro”:
-“Ah, hoje não dá, que estou sem tempo! Aliás me desculpe, já estou é atrasado!”
Quanta correria, todo mundo apressado, esbaforido, atrasado pra tudo! Fica parecendo uma maratona essa vida: corta-se a fita, e sai todo mundo correndo.
Aí chega a repórter da Globo, que, óbvio, está num daqueles carros prateados de outro planeta e, lá da carroceria, começa a entrevistar os “maratonistas da vida”:
- Meu senhor, para onde está indo?
- Não sei, minha filha, acho que estou seguindo essa multidão ou esse seu carro lindo.
- Mas, aonde quer chegar, senhor?
- Não faço a mínima idéia, apenas sigo esse bando aí.
- Então, que lugar o senhor ocupa nessa corrida da vida?
- Sei lá! À frente de uma porção de gente e atrás dessa multidão.
- Então por que o senhor está participando dessa maratona?
- Minha filha, ta todo mundo correndo pra tudo quanto é lado, e eu sei lá o que é isso? È pra correr, to correndo. Só espero que tenha brinde no final!
- Uma última pergunta: está cansado?
- Puf, puf, puf, Ô filha vá tomar ...
É , tudo na cidade grande é muito sem sentido. Comece então a fazer as contas:
• Quanto tempo você passa entalado no trânsito?
• Quanto tempo fica diante da TV, do micro, do vídeo-game?
• Quantos jornais lê todo dia? E isso leva quanto tempo?
• Quanto tempo fica tomando sua cervejinha com os amigos (as), conversando e lamentando as mesmas frustrações do ano passado, retrasado ...?
• Quantas horas dorme no fim de semana para se recuperar das noitadas e ressacas de tantas frustrações?

Não há dúvida: o tempo passa, o tempo voa e ninguém continua numa boa! Tem mais é que padecer da “síndrome de falta de tempo”.
O quê? Ah sim, quando você aposentar, não é? É, sem dúvida terá mais tempo; mas depois leia o capítulo “Síndrome do Aposentado”.
“A coisa não é bem assim não”, como diria vovô Aquino, um sábio que tinha tempo de observar as coisas e emitir pareceres fantásticos.
“Desde que existe o mundo, a Terra gasta as mesmas 24 horas para dar uma volta em torno de si mesma. A natureza não tem relógio, tem ritmo, tem ciclos – verão, outono, inverno, primavera, dias e noites, época de plantar, época de colher, tempo de nascer, tempo de morrer, de cio, de procriar, ser semente, ser planta, ser flor, ser fruto, de novo semente ... Tudo na natureza tem seu tempo. Só o ser humano criou um tempo psicológico, esquisito, rápido, acelerado, com mil coisas a fazer: acaba artificializando o tempo e assim perde o ritmo da natureza, com a sensação de correr o tempo todo e não fazer nada de útil”.




NOTA DO AUTOR

PEQUENO MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA DAS GRANDES e também médias e pequenas CIDADES

Livro Eduardo Aquino



Fim dos tempos? Ou início de um novo tempo? O certo é que nos cercamos de um conforto tecnológico, de facilidades eletrônicas e uma enormidade de ilusões ao habitarmos os grandes centros urbanos. Temos como vizinhança a miséria, a violência, o stress. É esse contraste que nos constrange.
Este manual foi feito para você preso no trânsito, no trabalho, nos quatro metros de altura do muro de sua residência – ou fortaleza? – Ou, quem sabe, preso nas centenas de canais de TV a cabo. Enfim, o objetivo maior deste projeto é te chacoalhar, dizer: “Acorda”! Embora queira te provocar – o estilo será meio sarcástico e irônico para te desprogramar dessa vida rotineira e pasteurizada - , busco ao mesmo tempo trazer algumas informações úteis, que possam ser aproveitadas no resgate do único combustível que precisamos para viver e ser felizes: o prazer natural. Não vale bebida, droga, remédio para emagrecer, cafeína, cigarro, calmante, guaraná em pó, ginseng, catuaba, pois Deus nos criou para a alegria e a satisfação em viver, sensação de recompensa, infelizmente elementos tão raros hoje em dia, na selva das grandes cidades.
Uma vez que grandes cidades adoecem seus habitantes, descreveremos as grandes síndromes e, no último capítulo, instruções e dicas para combatê-las. Se você se perder (ou se encontrar) em algum capítulo, cuidado! O descaminho para ser infeliz pode estar à sua frente.