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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Texto de Dr. Eduardo Aquino referente à palestra a ser proferida para o Tribunal de Justiça em Uberlândia – MG em 20/12/2002


A própria natureza nos ensina lições que infelizmente nos esquecemos no corrido dia-a-dia. No mundo atual fadigados pelo excesso de informação angustiados pelas más notícias que viciados, procuramos diariamente em nossas TV’s, Internet, celulares, jornais e toda forma de mídia disponível e infelizmente nos esquecemos das coisas simples e naturais com que Deus nos brindou: o afeto, o calor de uma família, os amigos, um bom papo, aquelas estórias dos tempos em que se “amarrava cachorro com lingüiça”, enfim, voltar a viver, resgatando a alegria, o prazer de chegar em casa – voltar ao ninho – e se sentir acolhido, aquecido, fazer cafuné, brincar com filhos, partilhar as conquistas, as paqueras, bater uma bola, aprender o dialeto dos adolescentes cheio de “paias”, “vazou a ficante”, “Zoado” e essas palavras estranhas que eles usam, além dos “VC, TB” e esses sinais internáuticos.
É hora de ser sábio, de dividir problemas, somar compreensão, multiplicar o prazer.
A família é a base de tudo, o começo de tudo. Se um dia te faltar tudo, não te faltará sua família, seu ninho, seu sangue. Então se pergunte: “gostaria de como pai, ser filho de si mesmo?”, “como cônjuge, gostaria de ser casado consigo?”, “como irmão, gostaria de ser fraterno de si mesmo?”. Pois é hora de recuperar nossa casa, nossos filhos, nossos pais, nossa família. E a grande revolução nas relações inter-pessoais começa dentro de cada um de nós mesmos. Dar uma “faxina de humildade” nos corações, mente, alma, expulsando dessas moradas sagradas, a poluição do medo, angústia culpa, irritação, raiva, inveja, enfim tudo aquilo que nos deixa infelizes e conturbam nossas relações. E então escrever a cada dia, uma história de vida, onde a cor, a fé, a esperança nos ilumine a existência dadivosa e divina, com que fomos brindados.

domingo, 27 de dezembro de 2009

TERCEIRA IDADE: UMA NOVA VISÃO, BASEADA NO AVANÇO NEUROCIENTÍFICO E NOVAS BASES HUMANÍSTICAS



Desde seus primórdios, a humanidade tem no envelhecer e no morrer as suas mais angustiantes expectativas.

A velhice e a proximidade do fim existencial têm povoado de preconceitos, mitos e problemas as culturas, religiões, sociedade, família e política, e só recentemente isso tem sido revertido, através de uma visão mais humanística e cientifica.

Quando pensamos na 3ª idade, três questões surgem:
A primeira questão: o que é ser velho? Um adolescente que se perde no desvario das drogas e violência, ou um idoso que aos 90 anos dá a público uma obra-prima da literatura, das artes plásticas ou da música? Velho é algo que não tem valor, que é descartável, que não é produtivo. Já o idoso é aquele que enfrentou bonança e tempestades, sobreviveu às intempéries e quer nos dá como herança sua experiência e sabedoria.

Assim sendo, em determinadas sociedades, principalmente as mais antigas e sapientes, os idosos têm papel crucial junto à família e à sociedade: são os conselheiros e sábios. Em contrapartida, em nosso mundo ocidental, veloz, tecnológico, cibernético e baseado na produção, os idosos passaram a ser considerados dispensáveis, e mais, desvalorizados como imensa massa de aposentados, a gastar verbas previdenciárias e médicas. Foram condenados a ser “aposentados” não só do trabalho, mas da vida, em seu calvário de uma existência ociosa, solitária e vazia.

Segunda questão: a vida é qualidade ou quantidade? Segundo a Sociedade Britânica de Geriatria, o importante não é acrescentar anos à vida de uma pessoa e sim dar mais vida aos anos dessa pessoa. O que se observa é que, graças aos avanços da ciência, vivemos cada vez mais: na Europa Nórdica, a expectativa de vida já ultrapassa os 85 anos. Mas, paradoxalmente, é crescente o número de auto-extermínio na 3ª idade. Eis o contra-senso: o tempo de vida não é o mais importante, necessário é resgatar a dignidade, a qualidade de vida e o respeito a nosso futuro, pois inevitavelmente haveremos de adquirir idade e um dia nos confrontaremos com a morte.

A última questão: por que as demências (ou “esclerose”) têm sido tão comuns entre os idosos? As neurociências avançaram no sentido de pesquisar o cérebro e o que chama a atenção é a alta incidência das demências, principalmente o “mal de Alzheimer” ou demência senil precoce. Isto se dá por diversos fatores, mas é importante destacar que a qualidade de vida das 2 primeiras idades é fundamental para se entender a 3ª idade.

Numa sociedade cada vez mais veloz, estressante, violenta e seletiva que vem desgastando o cérebro, afora a poluição, o mundo artificial, etc.., a depressão e o nível tensional têm atingido níveis insuportáveis. Chegamos ao fim do século numa das maiores crises da humanidade: crise urbana, política, social, econômica, religiosa, mas principalmente crise do indivíduo, que tem uma vida confortável, moderna, tecnológica, mais infeliz! E o cérebro é movido a prazer!

Soluções? A busca do prazer, o resgate do humanismo e a troca do vício de um mundo individualista, com excesso de informação e de máquinas, por um mundo em que as pessoas voltem a se relacionar. É preciso valorizar a sabedoria, tão típica do idoso, como instrumento de entender o universo que nos cerca. O idoso reassume, com o fim da aposentadoria do viver, seu papel de sábio e conselheiro. Precisamos de fórmulas mágicas ou do elixir da juventude para prolongar a vida? Nada disso: apenas resgatar o que a natureza sempre nos ofertou. Veja as dicas abaixo e agradeça sempre a Deus por fazer da vida uma dádiva e uma busca de nós mesmos!