quinta-feira, 1 de abril de 2010

CAPÍTULO IX : SÍNDROME DA BABÁ ELETRÔNICA




Ou: Como tornar a vida artificial e ser punido com as leis naturais, ou ainda: A Batalha Final: o ser humano (criatura) inventa a tecnologia e enfrenta Deus (criador) e sua obra: a natureza. Quem vai ganhar?


Eis a mais grave das síndromes do fim dos tempos: conseguimos, em cem anos, contrariar todas as leis e regras naturais. Durante décadas, vimos dois sistemas políticos e econômicos se digladiarem: comunistas e capitalistas, suas paranóias e trilhões de dólares investidos em armas que destruiriam este planeta 159 vezes (que bobagem, bastava uma vez). No fim tudo terminou em pizza e a distancia entre ricos e pobres hoje é muito mais que 159 vezes maior. Quem lucrou?
Vimos ainda, o fenômeno da urbanização. Veio todo mundo pra cidade, seduzido pelas atrações urbanas (neon, shopping, carros, cinema, teatro, gente bonita e chique). Fazer o quê, aqui? Amontoados em favelas, esgotos, crimes, tráfico, cocaína, policia, bandido, transito que não anda, poluição ... Até gente boa acaba se revoltando e aderindo ao “já que é assim ....”.

Mas o pior nesse século foi a presunção dos seres humanos em criar AMBIENTE PERFEITO, CONFORTÁVEL, INTELIGENTE (?) ONDE MÁQUINAS CRIARIAM O IDEAL: a preguiça eletrônica! Máquinas de lavar, de passar, de lavar louça, para congelar, microondas para esquentar, TV (cinema em casa) com passador de canal e desligar automático, som com sleep, carro para acelerar o tempo, luz elétrica para substituir a luz solar, barbeador elétrico, batedeira, assadeira, churrasqueira eletrônica, vara de pescar eletrônica (ainda não, ah bom! – pois senão bastava um telão com imagens de Araguaia e você pescava em casa mesmo). Ar condicionado: Qual estação o senhor quer hoje? Está de terno de lã. Bem, sugiro o inverno paranaense com temperatura média de 12º. Vai um vinho tinto, doutor?
Mas o pior veio no fim do século: COMPUTADOR PESSOAL. Aí pronto, até INTERNET foi um pulo, multimídia, outro; e, enfim, surge o terceiro sistema (após capitalismo e comunismo) – o INDIVIDUALISMO ELETRÔNICO (ou tecnicismo!)
Ótimo:
1. Fim do divórcio (na internet é melhor: a transa é virtual e a mulher é ideal – não fala, não se vê e é sempre inteligente: usa a informática).
2. Fim dos conflitos com filhos: eles já têm o próprio micro e aprendem sexo virtual , não têm nem que usar camisinha! Não usam mais droga: já nascem viciados em computador e vídeo-game. TECNOFÍLICOS. E já não briga com a irmã, que faz as mesmas coisas no quarto ao lado, sem risco de engravidar.
3. Fim do trabalho fora: tudo é feito em casa, dispensa os funcionários no escritório e monta sua equipe: fax, Pentium, celular, TV a cabo (sou SAT).
4. Fim do congestionamento: ninguém vai precisar sair de casa (congestiona a linha telefônica, esqueci).
5. Fim da poluição sonora: todos em silêncio (mas que irritante esse barulhinho de tecla).
6. Todo mundo com LER: (lesão de esforço repetitivo). Calma, já estão criando a mão eletrônica, que deverá ser acionada com eletrodos ligados no couro cabeludo, mas tem efeito colateral, dá dor de cabeça ... Mas calma: estão inventando um eletrodo que diminui a sensibilidade à dor, só que dá queda de cabelo ... Mas calma, estão inven...
7. A humanidade após séculos e séculos de lutas entre classes sociais (escravos e conquistadores, reis e súditos, colonizador e colonizadores, classe operária e patronal, analfabetos e alfabetizados, agricultores e latifundiários) verá uma guerra estranha, TECNOFÍLICOS (viciados em tecnologia) X TECNOFÓBICOS (avessos à tecnologia), e assim surgirão novas espécies. Os informatizados e os desinformatizados. A coisa vai ser feia!
Enquanto isso, os informatizados terão o poder virtual e poderão punir e espancar os pobres desinformatizados (por exemplo, não passando a novela das oito ou desprogramando o metrô), mas terão que enfrentar vírus de computador que, de forma sabotada, foi inoculada pelos Tecnofóbicos, que também dinamitam a rede elétrica E OS Tecnofílicos ficam literalmente nus e malpagos. E que guerra feia vem aí pela frente ...

Ei, Tecnofílico, viu que ipê-amarelo lindo aí fora? E a lua, hein? Seus filhos estão lindos...
Já foi à praia, real? Ei, Tecnofóbico, computador é instrumento, é a roda do século XXI, se aproxima, ele não morde e, se usado com sabedoria, simplifica sua vida. Olha, acaba de dar na Globo (já tava demorando ...) foi descrita a Síndrome da Fadiga em Informação - o executivo já não consegue tirar informações prioritárias, se vicia na Internet, tem insegurança, se acha desinformado e perde 40% do tempo em meio a informações desnecessárias. Não come, não dorme, não dá transadinha e tem pesadelo de que se perdeu na Internet e que está no Irã, seqüestrado por um sistema de informática muçulmano-xiita. Um 286 da pior qualidade! É demais ...
Enquanto isso, lá no céu, Deus sorri e nos manda uma charada: o que é mais eficiente: a sabedoria, cuja matéria-prima é ter tempo para observar e experimentar a natureza que nos abençoa e abastece, ou a informação, que é gerada pelo ser humano, é contraste, vicia, confunde, nos traz dependência e nos liga à máquina (já não é a máquina que é ligada) e cria a síndrome da indecisão – já não conseguimos decidir -, pois não conseguimos renunciar e escolher entre bilhões de possibilidades virtuais da multimídia?
É ... será que o criador nos dará outra chance de resgatarmos a simplicidade, a humildade, a confiança, a fé, o desapego e principalmente o amor?
Repito aqui: tecnologia é informação, é intelecto, pensamento, ação. Mas quem faz carinho percebe o calor do beijo, do cafuné, do abraço, e a emoção e ternura de um olhar, o cheiro da relva, da alfazema, de uma flor, o gosto do néctar, da framboesa, da maçã. Que saudade de mim mesmo e do “outro” em minha vida. Sentimento não pode ser virtual, depende dos órgãos do sentido e da percepção do momento!

Livro Eduardo Aquino: Pequeno Manual de sobrevivência na selva das grandes cidades e também médias e pequenas ... Cidades.
4ª Edição - Belo Horizonte/2000.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O que acontece com as pessoas que seguram muito a raiva?


Existem dois extremos não favoráveis: de um lado as pessoas passivas, que prendem a raiva, são “engolidoras de sapo”; essas pessoas, tidas como “boazinhas”, acabam manifestando sua raiva ou insatisfação, física ou psicologicamente. Devemos externar as insatisfações para não ficar remoendo-as, para não nos tornarmos rancorosos e um dia pagarmos um preço: úlcera, gastrite ou infarto, ou, no futuro, ansiedade ou depressão.

O outro extremo são aquelas pessoas que não sabem segurar nada, explodem com facilidade. Elas se manifestam, mas criam dificuldades com quem se relacionam. Pessoas que ficam com raiva ou irritadas com facilidade têm algumas características: não gostam de receber um “não” como resposta, não gostam de admitir os próprios erros, são autoritárias, têm necessidade de que os outros concordem com elas o tempo todo.

A raiva deve ser sempre manifestada, mas a forma como isso se dá é importante. Se a pessoa manifesta a irritabilidade ou a raiva de maneira explosiva, impulsiva ou agressiva, todo o ambiente vai rejeitar essa colocação, pois ninguém gosta de ser agredido, punido ou submeter-se a uma situação de explosão.

A melhor postura em relação à raiva é a postura de assertividade: pessoas firmes, mas educadas, com bom senso, são verdadeiras e espontâneas; são capazes de manifestar o desagrado e as “raivas” de maneira respeitosa, firme, de tal forma que a outra pessoa, objeto de sua raiva, saiba ouvi-la. A pessoa assertiva sabe manifestar o conteúdo (a raiva), transmitindo-o de maneira adequada: com sabedoria.

O pensamento atrai coisas negativas?



O pessimista está mais atento ao que não dá certo, às dificuldades do dia-a-dia. Tudo na vida algumas vezes dá certo e outras vezes, não. Tudo tem um lado positivo e outro negativo. O otimista sempre vê alguma coisa boa, mesmo nos maus momentos. Tudo indica que as pessoas negativas realmente geram, em torno de si, campos de energia que parecem negativos, onde determinadas situações se tornam desfavoráveis. O otimista, ao contrário, pode viver situações em que consiga bons resultados baseados na energia positiva que gera em torno de si. Isso é algo ainda polêmico. Sem dúvida nenhuma, porém, quanto maior o negativismo, maior a possibilidade de as coisas virem a não dar certo.
O pessimista prepara o ambiente para um fracasso, porque ele próprio tem dificuldade em lidar com frustrações, imperfeições e erros. Ele projeta coisas negativistas, e tudo o que der certo é lucro. Já o otimista está sempre disposto a aprender com as experiências, independentemente do resultado. Tem grande capacidade de superação e, ao assimilar a frustração, cresce com os erros e frustrações. Por isso, o otimista não tem vergonha ou medo de projetar coisas boas.

terça-feira, 30 de março de 2010

Por que de repente “bate” um baixo-astral, uma tristeza, sem nenum motivo aparente?


O que fazer para tirar pensamentos negativos e tristes da cabeça?

A tristeza, o baixo –astral são sentimentos inerentes ao ser humano, ao mamífero em geral, que tem sistema de afeto ou límbico, ficando sujeito a tristezas. Em nós, seres humanos, a tristeza pode vir nos momentos em que experimentamos perdas, fracassos e frustrações, diante de situações existenciais difíceis, e vamos tendo aquela sensação de menos valia, de desesperança. Normalmente, tais pensamentos costumam desaparecer à medida que a pessoa se recupera da situação. Existem pessoas naturalmente negativistas. É uma questão de temperamento.
Para tirar os pensamentos negativos da cabeça, é bom partilhar o baixo-astral com familiares e amigos. Se o dasabafo não for suficiente, será necessário procurar ajuda com alguém que possa distinguir uma tristeza ocasional de uma depressão, que exige tratamento médico e psicológico.
Quando a tristeza e o baixo-astral vêm sem motivo aparente, deve-se investigar a possibilidade de ser uma alteração mais profunda.
Nós, neurocientistas que pesquisamos o cérebro humano, sabemos que um erro do funcionamento cerebral pode ser um dos motivos que levam à tristeza e ao negativismo sem causa, que seria uma depressão maior ou uma distimia. Os processos de depressão endógena ou maior, ou de distimias, que são depressões mais leves, devem-se a alterações de substâncias químicas chamadas neurotransmissores cerebrais. Uma dessas substâncias é a serotonina.
Hoje em dia, associam-se diversos quadros depressivos, as tristezas patológicas, a uma causa biológica. Esses quadros, que antigamente se manifestavam depois dos 20, 30, 50 anos de idade, atualmente têm surgido em crianças, adolescentes e pré-adolescentes.



Livro eduardo Aquino: O que os JOVENS gostariam de saber e os ADULTOS têm dificuldade de responder.
2ª Edição Belo Horizonte – 1997.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O excesso de mau humor pode trazer algum malefício? E o excesso de bom humor?




Uma pergunta interessante. O excesso de mau humor pode trazer muitos malefícios. A pessoa mal humorada é alguém que nega a vida, os prazeres, tudo aquilo que o meio ambiente, o meio social e o meio afetivo podem propiciar-lhe. O mal –humorado é um selecionador de fatos ruins. Normalmente, esse mau humor leva a dificuldade às relações familiares, sociais, afetivas e profissionais. Essa pessoa tem grande dificuldade de co-habitação e, por causa do mau humor, muitas vezes tenta punir as pessoas que a rodeiam pelo estabelecimento de um ambiente desprazeroso, mediante posturas agressivas, impulsivas. No fundo, a única pessoa prejudicada pelo mau humor é o mal-humorado, porque, para ele, nada na vida tem graça, cor, luz e vibração. O pior malefício é que essa pessoa será cronicamente infeliz.
Quando o mau humor é proveniente de doenças, como a depressão, por exemplo, pode ser tratado e curado; mas, se o mau humor for próprio da personalidade e do temperamento, essa pessoa terá uma série de dificuldades pela vida afora.
Já o bom humor é sempre bem-vindo. O excesso de bom humor só prejudica as pessoas que têm dificuldade de perceber que, em certos ambientes, nem sempre podemos ser piadistas.


Livro Eduardo Aquino: O que os jovens gostariam de saber e os Adultos têm dificuldade de responder.
2ª Edição – Belo Horizonte – 1997.

domingo, 28 de março de 2010

A SÍNDROME DO FILHO DITADOR

Coluna Eduardo Aquino para o Jornal Super Notícias do dia 28/03/2010.


A Síndrome do filho ditador: ou os pequenos “reizinhos chineses”.
A cena só não é cômica, pois, o lado trágico já faz parte da maioria dos lares mundiais: uma fotografia de um gigantesco ginásio de esportes da China, onde milhares de pessoas dormiam desconfortavelmente em colchonetes ao lado das malas, sacolas .... A primeira vista pareciam vítimas de terremotos, enchentes ou outros dos freqüentes e estranhos desastres naturais de um mundo em crise convulsiva. Mas não estava escrito debaixo da foto: “os indefesos e deprimidos pais dos “Czares” Chineses, que ficam 10 – 15 dias acampados nas Universidades Chinesas para ver se seus filhos únicos de 17 – 19 anos se “adaptariam” a universidade!!! E se eles suportariam o “desmame forçado dos nenéns-adolescentes”, já que a política do filho-único na China, impede casais de ter mais filhos.
E, vale lembrar, a China, – uma mega-potência de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (6 vezes mais que o Brasil) que em apenas 20 anos, saiu de um país rural, miserável, faminto, se tornou um país urbano, altamente tecnológico com arranha-céus e um enriquecimento louco ( após milhares de anos de nação pobre, invadida, explorada por outros povos) onde a “guerra de gerações” mais se evidencia, pois os jovens urbanos, novos-ricos, lotados de tecnologia chinesa (muitas vezes copiadas) grifes, roupas de marcas, carros europeus de luxo, se tornaram ditadores, “reizinhos”, “Czares” submetendo os pais a humilhações cheios de exigências, insensíveis, egoístas. E os pais ex-famintos rurais, desajeitados nas novas mídias – Internet, Ipod, Iphone e outras telas que surgem a cada mês), se tornam banais, descartáveis em pouco tempo (lembram-se das fitas de vídeo, dos LPs, dos CD`s, do fax, do ...).
Pois bem, pais humildes, humilhados e apegados, não só se submetem as “vontades materiais dos filhos, as baladas regadas a bebida, drogas, sexo e rock-in-roll, são chantageados, desprezados e ainda tem de escutar “Eu não pedi para nascer”! “Bem feito! Quem mandou criar “monstrinhos filhos de chocadeiras eletrônicas”?! Como diz uma educadora “somos da época que comíamos carne de pescoço e pé de frango, para deixar coxa e peito para os pais, avós e os de mais idade. Hoje somos pais que continuamos a comer carne de pescoço e pé de frango, para deixar coxa e peito para filhos e netos!!!. Ta bom!!! Se não mudarmos, podem preparar os sacos de dormir, as trouxinhas que seus bebês-adultecentes, uma hora, te colocam para correr!!! Quem viver, verá!

Que conselhos você daria para quem é fechado e esconde os sentimentos?



A inibição afetiva é uma falta de harmonia; pode acontecer tanto no homem quanto na mulher, e também em qualquer idade: quando crianças, adolescentes, adultos e idosos.
A inibição tem diversas raízes, de acordo com a tendência pessoal, que faz parte de temperamento e da personalidade. Existem pessoas mais abertas e comunicativas. Outras são fechadas, inibidas, menos sociáveis. O meio ambiente também pode interferir. Uma família de pessoas muito fechadas, racionais, caladas e retraídas impede o desenvolvimento da manifestação afetiva. Ambientes onde as pessoas aprendem a comunicar-se, a tocar-se, acariciar-se, conversar e partilhar, favorecem quem não tem vergonha de ser o que é, quem não tem vergonha de errar. Podemos perceber que a pessoa mais fechada é, em geral, alguém que não gosta de errar, de expor suas opiniões, por temer a crítica e o julgamento alheios.
Uma das piores prisões é a inibição afetiva. Toda pessoa inibida guarda para si própria sua experiência e vivencia. É necessário que o tímido, o medroso social, aquele que teme expor-se em publico aprenda,ao invés de fugi ou evitar essa exposição, a enfrentar o medo. A pessoa fechada e inibida não se deixa conhecer, questionar, ajudar, como também não se propõe a ajudar, ficando ilhada em si mesma. Ele pode até pensar, sentir e agir, mas se não aprender a viver a relação com o outro, vai estar sempre imperfeita, inadequada socialmente.
Os homens são educados para ser racionais e ter grande capacidade de ação. Os “ditos” simplistas que existiam na época de nossos pais e avós, do tipo “homem não chora”, “homem não sente”, “tem de ser machão, vigoroso e forte”, são uma grande bobagem. O homem tem de chorar, sentir, engravidar junto com a mulher. Tem de ter a força e a coragem de ser também um ser afetivo, de aprender a dar as mãos e beijar filhos e a esposa.
Hoje, existe uma série de técnicas pedagógicas e psicoterapêuticas para a pessoa inibida, com fobia social, seja por temperamento ou em função do ambiente. Não há timidez ou inibição sem solução.

Livro Eduardo Aquino, O que os jovens gostariam de saber e os Adultos têm dificuldade de responder.
2ª Edição – Belo Horizonte 1997.