sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

NAMORAR, FICAR OU TER ROLO.



Livro: Eduardo A.Aquino: O que os Jovens gostariam, de saber e os Adultos têm dificuldade de responder.


Como se explica que casamentos antigos, sem amor, duravam a vida inteira?
Essas pessoas se privavam do amor? Elas eram necessariamente infelizes?

Anteriormente, por uma questão de preponderância de um pensamento católico, muito impositivo e predominante, e, ao mesmo tempo, por uma questão cultural e social, não havia muito espaço ou aceitação daquele casal que se separasse. Tal fato era sempre condenado e motivo de escândalo na comunidade. Portanto, isso fazia com que os casamentos tivessem uma duração sempre maior.

Quanto à pergunta sobre se essas pessoas se privavam do amor, inserida na pergunta principal, havia uma série de fatores que faziam com que esses casamentos se mantivessem. Evidentemente, a necessidade de se conviver junto gerava um respeito ou, quem sabe, até uma relação de amor maior, uma vez que havia uma postura mais definitiva do ponto de vista de manutenção dos casamentos. Todavia, também, sabemos que, inevitavelmente, um percentual de casamentos às vezes se mantinha meramente por uma necessidade, por uma ausência de possibilidades de rompimentos e por uma questão de aparência. Algumas pessoas tinham que se privar de amor, e outras, pelo próprio convívio, acabavam por se amar.

Outra parte da pergunta: elas eram necessariamente infelizes? Não. Num grande número de casamentos havia uma certa felicidade, porque, durante uma longa trajetória de convívio, no mínimo, havia também um grau de amizade, de companheirismo, uma necessidade de tocar, juntos, um processo existencial. Acho que havia uma proporção de pessoas felizes, que conseguiam, assim, um bom nível de relacionamento, como também havia um número de pessoas que eram infelizes, que eram obrigadas, literalmente, a passar a vida inteira dentro de uma estrutura não ideal e, muitas vezes, insatisfatória.

Você acha que o amor pode vir com o tempo?

Sim. Algumas vezes, nos relacionamentos, é necessário que a gente tenha tempo de conviver, que a gente passe apertos, sofra e tenha alegrias juntos. Assim, o amor poderá amadurecer, se sedimentar, e a união poderá se tornar mais duradoura. A experiência a dois é a necessidade de compartilhar determinadas situações que fazem com que haja o surgimento de uma relação de amor, pressupondo compreensão, respeito, afeto, cooperação...


NAMORAR, FICAR OU TER ROLO

O que é namorar? O eu é ficar?

Atualmente está na moda o “ficar”. As relações são descartáveis e imediatistas, então perdemos o conceito do que é namorar, que é escolher. Quando se escolhe alguém, renuncia-se a outras possibilidades. Namorar é sinal de maturidade em escolher, é saber tomar decisões, assumir que se gosta de alguém, mesmo sabendo haver tantas outras opções. A pessoa escolhida para estabelecer uma relação de afeto e crescer com a outra é uma só. Hoje em dia, observamos que quem só “fica” quer ter todos ao mesmo tempo e não tem ninguém, por não aprofundar nenhuma relação.
Uma das coisas que não invejo na juventude atual é essa história de “ficar” e de “ter rolo”. Notamos que essas pessoas que “ficam” ou que têm rolo”, não assumindo as relações e as outras pessoas, são ansiosas. Elas têm dificuldade de decidir, deixando-se levar pelo instinto, pela atração física, pela vontade de experimentar todo mundo, mas acabam ficando insatisfeitas e infelizes. O que noto, em minhas palestras para jovens, é que todos “ficam” por modismo, mas ninguém está satisfeito., Todos têm uma carência maior, que é um envolvimento mais profundo, com mais responsabilidade e mais espaço para dividir as boas e más questões da vida.
Na época em que eu era adolescente, tínhamos de batalhar muito para conquistar uma pessoa. Por isso, construíamos uma história e os envolvimentos eram mais profundos.
O namoro assim é mais saudável. Ao “ficar”, como na sociedade de consumo, se quer o que não se tem. Todo mundo fica com receio de ser descartável. Não concordo com o “ficar”, que causa ansiedade. Sou a favor das relações que se aprofundam, em que há respeito, confiança e envolvimento.

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